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terça-feira, junho 9

Os Primeiros 9 Corpos deixados no Palco da Vitoria





















Uma mulher foi deixada na porta de um hotel de luxo. Com um vestido de papel de embrulho.

Um homem se bate contra a parede em movimentos circulares com uma mochila nas costas.
Os vizinhos se preocupam, um vigilante observa, um carro para e chama a policia.

Um homem negro de corpo escultural "corre no lugar" na frente do Museu de Arte da Bahia.
Uma hora de insistencia numa corrida que nao sai do lugar, a obra nao escapa ao Museu.
No final pousa na enorme porta de madeira entalhada a mao e o corpo lavado de suor.

Um homem mexe as maos convulsivamente frente a um tapume de construcao.
Faz suar o corpo para imprimi-lo na madeira negra.

Um homem foi esquecido na frente de um predio chic, do lado de uma delicatesse.
Alguem quer levar pra casa?

Uma mulher penteia os cabelos do corpo na frente de um salao de beleza.
Bem Bonita.
Lhe oferecem uma escova, quem sabe ate uma escova inteligente.

Uma mulher e' esquecida ajoelhada de branco na frente de uma igreja branca.
Vestida de papel de seda, tremula.

Uma mulher sopra baloes verde e amarelo em um cruzamento, entre o Macdonald's e um Posto Shell.
Prende a respiracao, rodopia e cai.

Um homem move vagarosamente as pernas e bracos sem nunca deixa-los tocar o chao. Esta deitado no asfalto, proximo ao transito de carros, com uma fralda de papel de seda branco.
Sua forca abdominal foi elogiada por um guardador de carro vestido em uma camiseta que dizia "quem e' feliz malha!".

2 comentários:

Cipó disse...

Falando de interagir e conectar, não poderia ter sido mais pertinente essa proposta da pesquisa do ITENS como residência nesse encontro, e vejo cada vez mais uma clareza na proposta da pesquisa que incita um engajamento e disponibilidade de se expor com tamanha despretenção que acaba compartilhando algo bem mais sutil, mas em um nivel de sensibilidade tão grande a ponto de você querer cuidar ou adotar o corpo abandonado.

Tantas leituras em uma só imagem mostra o quão diverssas são essas necessidades de contole, poder,manipulação, resistência, percistência, necessidade de existir da forma mais simples e honesta que se corrompe por uma insegurança de não poder apenas ser e estar.

Sei lá disse...

Ainda estou digerindo o que vivi durante esta semana do interação e conectividade. Confusões, crises, ataques histéricos, de vaidade, tapas na cara e etc. foram correntes durante toda essa semana, e gostei bastante disso. Quando não há trocas, diálogos, interações alguns entendimentos acabam por cristalizarem-se, e as vezes isso é um risco, pois podem perder muito da sua força de conectar-se com as pessoas a volta

O que mais me pegou, e ainda está pegando sem dúvida é ser/estar em substituição do fazer/mostrar. Percebo como é fácil cair no que chamei pra mim mesmo de local de segurança, um local onde o corpo tende a ir por estar confortável alí, mas ao mesmo tempo que este se coloca em estado de conforto, o mesmo pode entrar num processo de estagnação, de cristalização.

A questão da percepção também foi outro ponto fortíssimo. Acredito que um dos grandes aprendizados da mini residência foi aprender a perceber, a olhar e a sentir não só um objeto de arte, mas também o ambiente em que vivemos e atuamos (ou seria melhor dizer, ambiente em que somos e estamos ?)

Se lembrar mais de algo ou conseguir deixar isso mais claro, volto aqui

Abs

Fernando Lopes